Em 30 de julho de 2026, a humanidade atingiu o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day): a data em que o consumo de recursos naturais do ano ultrapassa o que o planeta consegue regenerar em doze meses. Para sustentar o padrão atual, seriam necessárias 1,73 Terras.
No mesmo período, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) elevou para cerca de 80% a probabilidade de um novo El Niño entre junho e agosto de 2026, com projeções acima de 90% para os meses seguintes.
São dois sinais diferentes, mas que apontam para a mesma direção: operamos além dos limites do planeta e num clima cada vez mais volátil.
A pergunta que interessa a quem toca uma operação é prática: onde e como as empresas entram na pauta?
A resposta passa por um aspecto fundamental: o cumprimento das normas ambientais, que é o que expõe, na prática, como as empresas lidam com seus impactos no meio ambiente.
O primeiro passo para conter danos e frear as mudanças climáticas é o acompanhamento rigoroso do licenciamento ambiental e de demais processos de proteção ao meio ambiente e reparação de impactos.
É sobre isso que falaremos neste artigo.

O que El Niño, o Dia da Sobrecarga e as mudanças climáticas realmente dizem
Vale separar os três temas, porque são relacionados, mas não são a mesma coisa.
O El Niño é um fenômeno climático natural (o aquecimento periódico das águas do Oceano Pacífico equatorial), que se repete em ciclos e não é causado pelo aquecimento global.
O que muda é o pano de fundo: o El Niño chega sobre um planeta já mais quente, o que tende a intensificar secas, chuvas extremas e ondas de calor. O CPTEC/INPE acompanha esse cenário em notas técnicas periódicas (CPTEC/INPE).
O Dia da Sobrecarga da Terra mede outra coisa: a pegada ecológica, ou seja, quanto de recursos naturais a humanidade consome frente à capacidade de regeneração dos ecossistemas.
Em 2026 foi o maior déficit já registrado na série histórica consistente, e a pegada de carbono responde por 61% desse total (Global Footprint Network).
Juntos, esses indicadores descrevem um contexto de mais eventos extremos e menos margem ambiental.
Para empresas, isso se traduz em riscos concretos, como:
- Interrupções operacionais
- Escassez de água e insumos
- Aumento da pressão regulatória
- Exposição a passivos
Onde entra o licenciamento ambiental
Aqui está o ponto que costuma ser mal compreendido. O licenciamento ambiental não controla o El Niño nem detém as mudanças climáticas (nenhuma licença faz isso). Ele age em outra escala: a do empreendimento.
O licenciamento é o instrumento legal que avalia, antes de instalar ou operar uma atividade, quais impactos ela pode causar e quais medidas de prevenção, controle e mitigação são obrigatórias.
É por isso que a conexão faz sentido. Se o cenário macro é de mais pressão sobre recursos e mais volatilidade climática, o licenciamento é justamente o mecanismo que, na ponta, obriga cada operação a lidar com seus próprios impactos em vez de empurrá-los para o coletivo.
Ignorar ou negligenciar as normas do licenciamento, além de ilegal, é abrir mão da principal ferramenta que a empresa tem para gerenciar risco ambiental de forma estruturada (algo que os melhores gestores já trataram como parte indispensável da estratégia corporativa).
Inclusive, já existe debate técnico e jurídico sobre incorporar as mudanças climáticas de forma explícita à análise de licenciamento, avaliando emissões e vulnerabilidade climática dos projetos. Ou seja, os temas estão convergindo também dentro dos processos.
A régua mudou: o que a Lei 15.190/2025 alterou
Há um motivo concreto para reforçar essa atenção agora.
Desde 4 de fevereiro de 2026 está em vigor a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025), que vale como norma federal para todo o país e já rege os processos em andamento.
A nova lei ampliou os procedimentos simplificados e criou a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), em que a própria empresa se autodeclara apta a cumprir as condicionantes em atividades de menor impacto.
Em outras palavras, o Estado passou a filtrar menos na porta de entrada e mais responsabilidade recaiu sobre quem empreende. No mesmo momento, o cenário físico ficou mais hostil: um novo El Niño a caminho, extremos climáticos mais frequentes e menos margem ambiental (é o que o Dia da Sobrecarga escancara).
Some as duas pontas: com um processo mais autodeclaratório e um clima mais volátil, um erro de licenciamento vira risco operacional.
Entenda os detalhes no artigo da Ius sobre o que mudou e o que sua empresa precisa controlar e veja o histórico completo de aprovação da Lei no Blog do Onegreen.
O risco real está nas condicionantes e nos prazos
No cotidiano, o que gera passivo raramente é a licença em si, e sim o que vem depois dela.
Condicionantes não cumpridas, prazos vencidos e exigências de órgãos ambientais sem resposta são as falhas mais comuns, e todas têm a mesma origem: falta um acompanhando mais dedicado do processo.
Ter evidências organizadas e prontas para uma fiscalização é o que determina se uma empresa está em conformidade ou se apenas reage às fiscalizações.
As consequências do descumprimento das condicionantes vão de sanções administrativas e multas à responsabilidade civil por dano ambiental (que é imprescritível) e, em certos casos, à responsabilização criminal.
Num ambiente de fiscalização mais atenta e clima mais instável, o custo de não acompanhar só cresce.
Da conscientização à gestão de risco
Nenhuma empresa vai frear o El Niño ou reverter sozinha a sobrecarga do planeta. No entanto, a forma como cada organização conduz o próprio licenciamento determina diretamente como ela lida com seus impactos, reduz riscos e se posiciona no mercado.
Fazer isso de forma manual (no papel, ou em planilhas espalhadas) não garante escala e impacta na fiscalização.
É nessa dor que a tecnologia do Onegreen atua: uma plataforma que centraliza licenças, condicionantes, documentos e prazos em um só lugar e torna o licenciamento ambiental automatizado, seguro e auditável, com trilha de evidências pronta para fiscalizações.
O Onegreen integra o portfólio da Natura, que reúne décadas de gestão de requisitos legais e ESG.

Novidade: Onegreen Guardião
Organizar é diferente de responder. Quando surge uma exigência técnica, um prazo aperta ou uma fiscalização bate à porta, quase sempre é a equipe interna (já ocupada) que absorve tudo, sem respaldo técnico-jurídico para agir com segurança.
É exatamente essa lacuna que o Onegreen Guardião preenche: um consultor fixo da Ius, especialista em meio ambiente, atuando diretamente na sua operação dentro do Onegreen, com acompanhamento contínuo e proativo para garantir que:
- Cada condicionante seja cumprida;
- Cada prazo seja antecipado;
- Cada risco seja tratado antes de virar passivo.
Se o cenário climático e regulatório ficou mais exigente, faz sentido ter reforço especializado acompanhando o seu licenciamento de perto.
Conheça o Onegreen e fale com o nosso time sobre o Onegreen Guardião.